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Na era da IA, educadora pede inclusão digital crítica no Rio
Daniela Costa defendeu nesta sexta-feira (14), no Rio de Janeiro, que o uso da internet e da inteligência artificial na educação venha com pensamento crítico, durante o 4º Encontro de Educadores do Século XXI, promovido pela Firjan, ao citar dados da Unesco e do Cetic.br sobre resultados, riscos e regras para celulares nas escolas.
A consultora da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) para o Brasil disse que a ideia já não é só incluir tecnologia, mas fazer isso de forma “significativa e crítica”. Ela também coordena a pesquisa TIC Educação, desenvolvida pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br).
“Não dá mais para pensar só em entregar as tecnologias nas escolas, a gente precisa pensar em objetivos, motivos, riscos, oportunidades, o que fazer com as tecnologias e como educar os alunos para um uso mais crítico”, afirmou Daniela Costa. Para ela, o excesso de uso de ferramentas digitais tem relação negativa com a aprendizagem. “Eu estou em aula, os meus alunos pegam o celular e pronto, acabou. Eles não têm mais atenção”.
Ela lembrou que o Brasil tem a Lei Federal 15.100, de janeiro de 2025, que proíbe uso de celular durante a aula, recreio ou intervalos. Segundo dados do Cetic.br apresentados por ela, no início de 2026, 51% das escolas disseram que os estudantes nem podem levar o aparelho para a escola. No ensino médio, essa regra cai para 31% dos estabelecimentos. “O celular tem que ficar em bolso, acessórios ou em locais da escola”, explicou.
Na parte sobre pesquisa escolar, Daniela Costa disse que aplicativos como YouTube e TikTok lideram entre os recursos usados por estudantes do ensino médio. Os vídeos aparecem em primeiro lugar, com uso por 89% dos alunos. Depois vêm sites de busca como o Google, citados por 88%; blogs e Wikipédia, por 72%; plataformas de IA, por 70%; e livros digitais, por 65%.
“A gente passa de uma pesquisa usando a linguagem verbal para uma pesquisa visual. É assistir um vídeo para se informar”, disse. Ela acrescentou que apenas um terço dos estudantes brasileiros afirma ter sido orientado sobre erros das IAs.
Daniela Costa também destacou que os professores continuam sendo referência para os alunos quando o assunto é tecnologia digital. De 2022 para 2024, a parcela de estudantes que disse se informar sobre o uso com os docentes subiu de 44% para 56%. Ao mesmo tempo, caiu a proporção de professores que declararam ter feito formação continuada sobre tecnologias digitais nos processos de ensino e aprendizagem: eram 65% em 2021 e passaram a 54% em 2024.
“Esse número é baixo. Essa proporção representa metade dos professores”, lamentou. “É como se, durante a pandemia, precisávamos falar sobre isso. Depois, não precisamos mais”, criticou.
No fim da fala, ela pediu compromisso com quem está na sala de aula. “se comprometa com esse ator que é o professor, o educador”. “Não existe uma sociedade sem escolas, não existe uma sociedade sem professores, não existe educação e desenvolvimento integral dos estudantes sem esses elementos”, defendeu. As informações são da Agência Brasil.
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