Investimentos em saúde podem evitar 739 mil mortes no Brasil
08/10/2026
Estudo do McKinsey Health Institute aponta ganho de mais de R$1 trilhão no PIB até 2050 e lista medidas de prevenção e tratamento
Investimentos em saúde feitos de forma direcionada podem evitar 739 mil mortes prematuras no Brasil e acrescentar mais de R$1 trilhão ao Produto Interno Bruto até 2050, segundo o recorte nacional da pesquisa A saúde das nações: saúde mais forte, economias mais fortes, do McKinsey Health Institute. O estudo foi apresentado nesta terça-feira (6), em San José, capital da Costa Rica, durante um encontro de jornalistas da América Latina promovido pela Roche.
Brad Herbig, diretor de dados de Saúde do McKinsey Health Institute, disse que não basta ampliar os valores aplicados. Para ele, os recursos precisam ir para ações comprovadamente eficazes e custo-efetivas, isto é, que entregam o melhor resultado pelo menor custo necessário.
“É crucial olhar para as evidências científicas e garantir que elas ocupem lugar central nos espaços onde as decisões são tomadas. E também usar essas evidências para comunicar quais ações são necessárias”
Herbig também afirmou que “Os investimentos nas saúde das pessoas não são gastos, eles também são bons para o crescimento do país, para a melhora da competitividade econômica e afetam muitos outros aspectos”.
O instituto analisou cerca de 300 intervenções de saúde baseadas em evidências científicas e comprovadamente custo-efetivas. Esse conjunto ataca 90 doenças e 27 fatores de risco, que correspondem a 85% dos problemas de saúde que mais atingem a população mundial. As medidas incluem prevenção em nível populacional e individual, além de tratamentos.
Entre os exemplos citados estão a taxação extra de itens prejudiciais, como cigarro e álcool, para desestimular o consumo; a proteção dos trabalhadores contra a exposição a poluentes nas fábricas; a vacinação com altas coberturas; exames preventivos em pelo menos 75% do público-alvo; cirurgias no prazo adequado; e a incorporação progressiva de novos medicamentos mais avançados.
O objetivo foi identificar quantas mortes prematuras e quantos anos de vida perdidos por adoecimento podem ser evitados se os países passarem a investir adequadamente nessas intervenções.
No recorte brasileiro, o estudo estima que essas intervenções podem ampliar em 5 anos a expectativa de vida da população, chegando a 85 anos. Também projeta 76 anos vividos com boa saúde, 9 a mais do que a estimativa atual.
A cada 1 dólar investido em ações efetivas de saúde no Brasil, o retorno esperado é de 2,1 ao PIB. A pesquisa atribui esse efeito principalmente ao aumento da produtividade geral da população, com menos mortes entre os mais jovens e menos adoecimento.
Herbig disse ainda que os investimentos também mexem com o futuro das crianças. “Os investimentos também afetam o potencial futuro das crianças, porque quando nós evitamos que elas adoeçam, é mais provável que elas consigam avançar em seus estudos, além de ajudar seus responsáveis, que têm que equilibrar o trabalho e o cuidado, o que fica mais difícil com doenças ou incapacidade”.
No Brasil, 59% do impacto total vem de ações de prevenção, em nível populacional ou individual. A maioria dessas ações não acontece em unidades de saúde, o que amplia o papel de outras instituições.
O maior peso geral está nas políticas fiscais e financeiras para desestimular o consumo de álcool, tabaco e alimentos ultraprocessados, substâncias que aumentam comprovadamente o risco de várias doenças. Em nível individual, ganham destaque as ações cardiovasculares, como o monitoramento da pressão arterial. Depois vêm duas medidas contra a obesidade: controle do peso com dietas e exercícios e oferta de medicamentos para emagrecer.
Entre as medidas terapêuticas que precisam ser fortalecidas, a maior chance de impacto está no tratamento adequado do câncer. Em seguida aparecem a oferta de remédios psiquiátricos e as melhorias nos equipamentos e insumos médicos.
Parte dessas ações produz efeito no longo prazo. Outras agem rápido. “Por exemplo, garantir que as pessoas recebam diagnóstico precoce e tenham acesso aos tratamentos mais efetivos logo em seguida”
“Universalizar o acesso a remédios para hipertensão e controle do colesterol são coisas que realmente podem reduzir o risco de doenças no futuro, com um custo em baixo”
A pesquisa também mediu os impactos por região. Os países da América Latina investem, em média, 3,7% de seus PIB’s em Saúde, abaixo dos 7,9% dos países de alta renda. Desses recursos, menos de 5% vão para ações de prevenção, embora elas respondam por 61% das medidas capazes de reduzir mortes prematuras e adoecimento.
O estudo diz ainda que a expectativa de vida na América Latina sobe desde a década de 50, mas o tempo vivido com problemas de saúde também cresce e pode passar de 12 anos em 2050 sem as intervenções recomendadas. Essa diferença entre viver mais e viver melhor está criando “um débito de saúde enorme que funciona como uma ralo na nossa economia”.
Herbig explicou que a região enfrenta um envelhecimento tardio e acelerado da população. Esse processo já ocorreu nos países desenvolvidos, mas ao longo de um intervalo maior, o que permitiu adaptação melhor.
“Há muitas doenças associadas ao envelhecimento. Mas mudanças no estilo de vida estão acelerando o crescimento. A América Latina tem uma das maiores taxas de obesidade do mundo, resultando em aumento da diabetes, por exemplo”
Todas as projeções já levam em conta os efeitos das mudanças climáticas. “até porque os extremos de temperatura são fatores de risco para algumas doenças e podem fazer com que outras piorem”
Mesmo assim, algumas medidas podem amortecer esses danos. “Não sabemos tudo o que vai acontecer, mas o controle da qualidade do ar, por exemplo, afeta diretamente a incidência de doenças pulmonares, hoje em dia e também nesses cenários”
A repórter participa do evento a convite da Roche Brasil. As informações são da Agência Brasil.
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