Apenas 16% dos brasileiros têm condições de guardar dinheiro no final do mês
21/07/2018
Maioria diz que tem renda muito baixa, o que impossibilita alguma sobra.
Imprevistos financeiros, falta de controle dos gastos e desemprego também
são fatores citados.
Uma pesquisa realizada em todo o Brasil apontou que 25% das pessoas que
conseguem poupar dinheiro no final do mês guardam as quantias dentro da
própria casa. A maior parte (60%) escolhe a caderneta de poupança, mas há
ainda aqueles que optam por conta corrente (18%), previdência privada (7%),
fundos de investimentos (5%), CDBs (4%) e títulos do tesouro (4%).
Especialistas dizem que manter o dinheiro parado nas residências, além de
arriscado por questões de segurança, faz com que ele perca valor de compra
e deixe de render juros.
Apesar disso, a grande maioria da população (71%) não tem condições de
poupar. Segundo a pesquisa, no último mês de maio, apenas 16% dos
brasileiros conseguiram guardar recursos, principalmente, de salários,
aposentadorias e pensões. Mesmo entre as pessoas de maior renda, o hábito
de poupança revela ser algo precário. Nas classes A e B, apenas 28% dos
entrevistados pouparam em maio, contra 66% que não. Nas classes C, D e E, o
percentual de poupança cai para 13%. Considerando os que se recordam do
valor guardado, a média foi de R$ 440,40.
Entre os brasileiros que não pouparam nenhum centavo em maio, 40%
justificam uma renda muito baixa, o que inviabiliza ter sobras no fim do
mês. Outros 25% foram surpreendidos por algum imprevisto financeiro e 12%
que não possuem renda no momento, provavelmente por estar desempregados. Há
ainda 12% de consumidores que admitiram ter perdido o controle e a
disciplina sobre os próprios gasto.
"Em geral, as escolhas de investimentos são influenciadas tanto pelo
conhecimento escasso sobre as possibilidades de investir como pelo
comodismo. Ao manter o dinheiro em casa, o consumidor está perdendo o poder
de compra pela inflação e isso pode ser prejudicial para seus objetivos. Se
a intenção é proteger-se contra imprevistos, o conveniente é optar por uma
reserva com alta liquidez, ainda que isso implique um rendimento menor. Por
outro lado, se o objetivo é poupar para o longo ou médio prazo, aplicações
menos líquidas, isto é, com menos facilidade para sacar, podem servir de
freio ao impulso de desviar a finalidade deste recurso guardado", aconselha
a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.
"A poupança deve ser encarada como um compromisso de todos os meses. Se o
consumidor deixa para guardar só o que sobra, ele pode ceder à tentação de
transformar o que deveria ser uma reserva financeira em consumo, ficando
sujeito a eventuais imprevistos ou inviabilizando a realização de sonhos de
consumo, assim como garantir uma aposentadoria mais confortável alerta o
educador", diz o educador financeiro do portal 'Meu Bolso Feliz', José
Vignoli.
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