Fim da escala 6x1 anima trabalhadoras no após PEC
15/10/2026
Senado aprovou a PEC 221/2019; pesquisa da Nexus aponta 73% de apoio ao fim da escala 6x1.
Adrielle Barbosa de Aquino, de 27 anos, mãe de duas crianças e garçonete em um restaurante no centro do Rio de Janeiro, diz que a escala 6x1 deixa só o domingo para resolver a vida, enquanto o Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (14) a PEC 221/2019, vista por ela e por outras trabalhadoras como chance de ganhar mais tempo livre e cuidar da família, da saúde e dos estudos.
Desde que saiu da adolescência e começou no primeiro emprego, há quase dez anos, Adrielle trabalha de segunda a sábado. Ela conta que o único dia livre vira uma corrida para dar conta de tudo. Quando precisa levar os filhos a uma consulta médica fora do domingo, falta ao trabalho e tem o salário descontado.
“Nessa escala 6x1, eu só tenho o domingo de folga, né? É o dia que eu tenho para resolver minhas coisas. Um dia para resolver mil coisas e a gente fica perdida. Ainda mais quando a gente é mãe. É pesado!”
“a gente acaba perdendo um dia de trabalho e tem o salário descontado”
Uma pesquisa realizada em fevereiro deste ano pela Nexus mostra que 73% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6x1.
Yasmin Nascimento, auxiliar administrativo em uma clínica, também trabalha nesse regime. Na manhã de quinta-feira em que falou com a Agência Brasil, ela esperava um mototáxi para seguir ao trabalho e disse que a mudança pode abrir espaço para descanso, família, estudo ou até trabalho extra.
“É mais um dia de folga com a sua família, mais um dia que a gente pode usar para trabalhar, estudar. Enfim, a folga é da pessoa, ela sabe o que ela vai fazer na folga dela, mas fiquei muito feliz porque essa PEC foi aprovada.”
Cristiane Wandermuren, de 56 anos, trabalhou desde a adolescência com apenas uma folga por semana. Depois de passar pela função de auxiliar de serviços gerais, ela hoje é ajudante de cozinha. Para ela, um dia a mais serviria para cuidar da saúde e ficar mais perto dos netos.
“Se eu tivesse mais um dia, eu iria cuidar da minha saúde, curtir mais os meus netos. Hoje tenho pouco tempo para minha família”
Ela também diz que só consegue marcar médico no meio da semana e que isso costuma gerar reação ruim no trabalho.
“Só temos o domingo. Como eu vou no domingo ao médico? Médico a gente normalmente vai no meio da semana... Aí o patrão já fica de cara feia se você chega mais tarde.”
Simone Cunha de Oliveira passou 15 anos na escala 6x1. Hoje trabalha em uma escola e consegue duas folgas por semana. Ela diz que a rotina mudou a qualidade de vida e facilitou resolver problemas do dia a dia.
“A qualidade de vida é bem melhor, você tem dois de descanso, você pode resolver seus problemas. Só um dia para fazer tudo o que você quer ou precisa, não tem condições”
A irmã dela ainda trabalha como vendedora de automóveis na escala 6x1. Simone diz que só consegue vê-la no domingo e espera que a mudança na lei melhore principalmente a saúde das pessoas.
“Eu só posso vê-la no domingo. Espero que a mudança na lei melhore principalmente a saúde das pessoas. As pessoas estão ficando doentes de tanto trabalhar. Que elas tenham o descanso que merecem.”
Maria Antônia de Carvalho, aposentada e com 63 anos, trabalhou a vida inteira com apenas um dia de descanso por semana. Ela diz que precisou se aposentar para ter mais tempo livre e resume essa fase como alívio depois de anos sem pausa.
“Eu trabalhei na 6x1 minha vida inteira. Era horrível não ter tempo para nada. Eu não tinha tempo para nada. Não dava mesmo. Quando você pensava que ia descansar, no outro dia você já estava trabalhando de novo. Agora ficou maravilhoso, porque eu tenho mais tempo para mim, para minha família.”
Luciana Machado, aposentada e com 65 anos, também passou quase toda a vida trabalhando seis dias por semana. Ela lembra que chegou à escala 5x2 já aposentada e teme que uma nova regra faça trabalhadores compensarem a folga com jornadas maiores durante a semana ou percam dinheiro com menos um dia trabalhado.
“Com essa nova escala, tenho receio de que a pessoa tenha que aumentar o horário de trabalho durante a semana, como aconteceu comigo. Também pode ser que o funcionário perca dinheiro trabalhando um dia a menos,”
Pelo texto aprovado pelos senadores, as empresas terão de garantir a escala 5x2 e reduzir a jornada semanal de 44 para 42 horas semanais 60 dias após a promulgação da emenda constitucional. Se isso ocorrer ainda em outubro, as regras passam a valer em dezembro de 2026.
No intervalo entre o segundo e o 14º mês após a promulgação, o empregador deverá distribuir ao longo da semana as duas horas acima das oito normais de serviço. Se essa divisão for igual, cada empregado trabalhará 8 horas e 24 minutos, em cinco dias na semana.
No fim da transição, todos os empregados deverão trabalhar no máximo oito horas diárias, somando 40 horas semanais, em 5 dias na semana. Para passar desse limite, só com pagamento de hora-extra.
A proposta também prevê que uma lei complementar posterior poderá criar medidas transitórias para reduzir os impactos da mudança sobre os microempreendedores individuais (MEIs), as microempresas e as empresas de pequeno porte. As informações são da Agência Brasil.
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