Lula assina decreto que regulamenta lei da reciprocidade econômica
15/07/2025
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, nesta terça-feira (15), um decreto que regulamenta a Lei da Reciprocidade Econômica. Publicada no Diário Oficial da União, a norma estabelece critérios para a suspensão de concessões comerciais, investimentos e obrigações relacionadas a direitos de propriedade intelectual. A medida visa responder a atitudes unilaterais de países ou blocos econômicos que impactem negativamente a competitividade internacional do Brasil.
A principal finalidade da Lei da Reciprocidade Econômica é assegurar que o Brasil adote contramedidas contra países ou blocos que tomem decisões econômicas ou comerciais prejudiciais ao país. A suspensão de benefícios, como acordos comerciais, investimentos ou direitos de propriedade intelectual, pode ser adotada como forma de reação a ações que afetem o Brasil de maneira negativa.
O decreto também institui a criação de um Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais. O comitê terá a responsabilidade de deliberar sobre a aplicação de contramedidas provisórias e acompanhar as negociações para resolver as disputas causadas pelas medidas unilaterais. Ele será presidido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e contará com a participação de outros ministérios, como a Casa Civil, Fazenda e Relações Exteriores.
A Secretaria-Executiva do comitê será de responsabilidade do MDIC, mas a norma prevê que outros ministérios poderão ser convidados a participar das discussões, dependendo do tema em pauta.
De acordo com o decreto, as contramedidas poderão ser adotadas de forma provisória, com um processo de deliberação mais rápido e excepcional. O procedimento acelerado será aplicado em casos em que as medidas impostas por outro país afetem diretamente a economia brasileira.
Para solicitar a adoção das contramedidas, os pedidos devem ser encaminhados à Secretaria-Executiva, que consultará os outros integrantes do comitê e poderá ouvir representantes do setor privado e de outros órgãos do governo antes de tomar uma decisão.
A norma também estabelece que o Brasil pode adotar o princípio da reciprocidade, ou seja, oferecer aos cidadãos e governos estrangeiros o mesmo tratamento que eles oferecem ao Brasil. Essa reciprocidade pode ser aplicada a diversas áreas, incluindo questões comerciais, concessão de vistos e relações econômicas ou diplomáticas. Esse ponto visa criar um equilíbrio nas relações internacionais e fortalecer a posição do Brasil frente a práticas desleais.
A medida pode ter implicações significativas nas relações econômicas do Brasil com outros países, especialmente no que diz respeito a acordos comerciais e concessões de investimentos. Embora a norma seja uma resposta a medidas que afetam a competitividade do Brasil, ela também demonstra um movimento mais assertivo por parte do governo em garantir a proteção dos interesses econômicos nacionais em um cenário global cada vez mais competitivo.
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