El Niño impacta mais de mil cidades do Brasil com danos bilionários O conteúdo de metsul.com está protegido por direitos autorais. É expressamente pr
28/10/2026
Entre julho e setembro de 2026, desastres climáticos afetaram 6,9 milhões de brasileiros, provocaram 25 mortes e tiraram 87,7 mil de casa
Entre julho e setembro de 2026, desastres climáticos atingiram 6,9 milhões de brasileiros, provocaram 25 mortes e obrigaram 87,7 mil pessoas a deixar suas casas em 1.035 municípios, com prejuízos de R$ 12,6 bilhões e preocupação com o fortalecimento do El Niño e novos eventos extremos nos próximos meses.
Os dados são da segunda edição do Boletim El Niño 2026/2027, elaborado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM). O levantamento mede os efeitos de fenômenos meteorológicos e climáticos sobre as cidades brasileiras e chama atenção para as dificuldades das administrações municipais na prevenção e na resposta aos desastres.
Dos prejuízos contabilizados, R$ 3,6 bilhões ficaram com o setor público. O abastecimento de água potável concentrou R$ 1,8 bilhão em perdas. A infraestrutura pública somou R$ 557,8 milhões. Já as perdas ligadas à assistência médica, à saúde pública e ao atendimento de emergências chegaram a R$ 562,8 milhões.
A distribuição dos impactos pelo território mostra ameaças distintas. No Norte, a queda no nível dos rios e a seca preocupam comunidades que dependem da água para transporte, abastecimento e atividades econômicas. No Nordeste, a estiagem agrava a vulnerabilidade hídrica. No Centro-Oeste, houve incêndios florestais. No Sudeste, vendavais, granizo, deslizamentos e inundações causaram danos. No Sul, chuva intensa e tornados ampliaram os riscos e atingiram residências, infraestrutura e atividades produtivas.
A variedade desses episódios reforça a necessidade de prevenção ajustada às características e aos riscos de cada região. A perspectiva para o restante da primavera segue sob atenção por causa do fortalecimento do El Niño.
O fenômeno é marcado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial. A MetSul Meteorologia vem alertando para os riscos associados a ele. O El Niño pode puxar o país para extremos opostos: agravar a estiagem no Norte e no Nordeste e aumentar o risco de chuva volumosa no Sul.
No Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná, episódios de precipitação intensa podem elevar os riscos de inundações, enxurradas e deslizamentos. Ainda assim, a resposta atmosférica depende também da interação com outros padrões climáticos; por isso, a intensidade do fenômeno não determina sozinha o tamanho dos impactos em cada localidade.
A capacidade de resposta das prefeituras continua entre os principais desafios. Entre 2010 e setembro de 2026, apenas R$ 27 bilhões dos R$ 99,8 bilhões autorizados pelo Congresso Nacional para a gestão de riscos e desastres chegaram aos municípios. O repasse correspondeu a 27,05% do total.
Paulo Ziulkoski alerta que a falta de recursos federais compromete a prevenção e amplia a vulnerabilidade das populações. Como as despesas com prevenção e resposta a desastres não são obrigatórias, a execução orçamentária historicamente fica abaixo do que as cidades precisam.
A entidade recomenda que as prefeituras atualizem planos de contingência, identifiquem áreas de risco, organizem abrigos e rotas de evacuação e fortaleçam os sistemas de comunicação com moradores.
A imagem que ilustra o levantamento mostra uma enchente que atingiu Eldorado, no Vale do Ribeira, em São Paulo, em setembro.
Luiz Fernando Nachtigall é autor de MetSul.com. Meteorologista desde 1985 pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), ele é especializado em Meteorologia Aeronáutica pelo Centro Técnico Aeroespacial (CTA), atuou no Ipmet da Unesp e trabalhou na previsão de tempo nos aeroportos de Belém do Pará, Galeão e Porto Alegre.
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