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Notícias | Economia


El Niño se intensifica e altera o clima no Brasil em setembro

02/09/2026

O El Niño ganha intensidade no Oceano Pacífico e deve mexer com o clima brasileiro ao longo de setembro, justamente quando produtores começam a se preparar para o plantio da safra 2026/27. A leitura do fenômeno aponta chuva irregular no Centro-Oeste, excesso de água em parte do Sul e calor mais forte no Brasil Central.


Segundo Arthur Müller, meteorologista do Canal Rural, as condições observadas no Pacífico Equatorial indicam o fortalecimento do fenômeno. O relatório semanal mais recente mostra anomalia média de temperatura próxima de 2 °C em uma das regiões monitoradas, sinal que reforça essa leitura.


Chuva irregular e calor mais forte


A previsão indica a chegada de um bom pulso de umidade na segunda semana de setembro, com chuva em Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná, São Paulo e Minas Gerais. Mas isso não significa regularidade. A chuva deve vir em blocos, com interrupções por novos períodos secos. Em Sorriso (MT), por exemplo, há previsão de precipitações nas próximas semanas, mas a segunda metade de setembro tende a ser bastante seca.


“É uma chuva que deve enganar muito, principalmente Mato Grosso e Goiás, porque ela não deve ser contínua durante todo o mês”, alerta o meteorologista.


A expectativa apresentada por Müller é de que as precipitações comecem a se normalizar de maneira mais consistente somente na segunda quinzena de outubro. Até lá, o Brasil Central pode enfrentar máximas entre 37 °C e 38 °C em setembro. Com a primavera avançando, os termômetros podem passar de 40 °C entre outubro e novembro.


Sul sob chuva forte, Norte e Nordeste mais secos


No Sul, o cenário segue oposto. A região deve continuar recebendo volumes elevados de chuva sob influência do El Niño. No Paraná, a projeção indica acumulados entre 200 e 250 milímetros em um período de 30 dias. Esse excesso também aumenta o risco de chuva forte e temporais.


Mesmo com o aquecimento do Pacífico, novas massas de ar frio ainda devem avançar em setembro. Müller explica que outros fatores atmosféricos também interferem nas condições meteorológicas e podem favorecer episódios de queda acentuada das temperaturas. Há possibilidade de geada fraca no Sul, inclusive já no próximo fim de semana. O ar frio também deve alcançar Mato Grosso do Sul e São Paulo, mas o maior risco continua concentrado nos estados sulistas.


No Sudeste, a tendência é mais favorável para o retorno das precipitações. São Paulo deve ser uma das áreas beneficiadas, assim como Mato Grosso do Sul, com possibilidade de volumes acima da média. Minas Gerais também pode receber um pulso de chuva durante a segunda semana de setembro. Em Castro (PR), a previsão aponta mínimas próximas de 11 °C e máximas ao redor dos 30 °C.


No Norte e Nordeste, o quadro é outro: as duas regiões caminham para estiagem e até seca em algumas áreas nos próximos períodos. Para o produtor, a atenção neste início de safra precisa ficar na distribuição das chuvas. Mesmo com precipitações previstas para setembro em áreas importantes do campo, alguns episódios isolados não significam que a estação chuvosa já esteja firmada.


Esse contraste entre excesso de precipitação no Sul e condições mais quentes e secas em outras áreas do país está entre os principais efeitos que devem ser acompanhados durante o fortalecimento do El Niño.

# CANAL RURAL

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