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Notícias | Economia


Otan alerta: Brasil pode ser tarifado por comprar petróleo da Rússia

17/07/2025

O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou nesta terça-feira (15) que o Brasil poderá enfrentar tarifas de até 100% por continuar comprando petróleo e derivados da Rússia. A declaração veio após uma reunião com congressistas dos Estados Unidos, que discutem um projeto de lei voltado à aplicação de sanções econômicas contra países que mantêm relações comerciais energéticas com o governo russo.


A proposta tem respaldo considerável no Senado norte-americano e, se aprovada, pode impactar diretamente a política externa brasileira e seus laços comerciais com a Rússia, especialmente no setor de combustíveis fósseis.


 


Declarações de Rutte acendem alerta para Brasil, China e Índia


Durante o encontro com parlamentares, Mark Rutte foi enfático ao abordar o papel de países que seguem importando petróleo russo, mesmo em meio ao prolongamento da guerra na Ucrânia. “Se você é o presidente da China, o primeiro-ministro da Índia ou o presidente do Brasil e ainda negocia com os russos e compra seu petróleo e gás, saiba que se esse cara em Moscou não levar as negociações de paz a sério, eu lhe aplicarei sanções secundárias de 100%”, declarou.


A fala sugere que o governo dos Estados Unidos, com apoio da Otan, estuda ampliar a pressão diplomática e econômica sobre países que, de forma indireta, contribuiriam para o financiamento do esforço de guerra russo.


 


Brasil bate recorde de importação de diesel russo


Em 2024, o Brasil importou US$ 5,4 bilhões em diesel da Rússia, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. O volume representou um recorde na balança comercial brasileira e consolidou o país entre os principais destinos da energia russa no cenário global.


Essa dependência crescente de combustíveis russos coloca o Brasil na mira de novas sanções econômicas norte-americanas, caso o projeto de lei mencionado por Rutte avance no Congresso dos EUA.


 


Pressão dos EUA aumenta com nova proposta de sanções


O projeto de lei discutido no Senado norte-americano propõe tarifas que podem chegar a 500% sobre importações de petróleo, gás e urânio provenientes da Rússia ou intermediadas por países considerados cúmplices comerciais. A proposta já conta com o apoio de 85 dos 100 senadores, o que indica um amplo consenso bipartidário em torno da medida.


Além das tarifas diretas, o texto prevê sanções secundárias contra países como Brasil, China e Índia — que não participam ativamente da guerra, mas continuam abastecendo suas economias com energia russa.


 


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A postura de Trump e o uso de ativos russos congelados


O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também se posicionou recentemente sobre o tema. Em declaração na segunda-feira (14), Trump anunciou que, caso a guerra na Ucrânia não seja encerrada em até 50 dias, aplicará sanções “muito severas” contra a Rússia, incluindo uma tarifa de 100% sobre o petróleo. Ele ainda garantiu que haverá envio de armamento pesado — como os mísseis Patriot — para reforçar as defesas da Ucrânia.


Uma outra frente discutida entre congressistas norte-americanos inclui o uso de ativos russos congelados em bancos internacionais. Estima-se que cerca de US$ 5 bilhões estejam bloqueados pelas autoridades dos EUA, e esse valor poderia ser redirecionado para financiar a reconstrução da Ucrânia — um passo sem precedentes na diplomacia americana.


 


Reação do Kremlin e possíveis desdobramentos


O Kremlin, por sua vez, classificou as falas como "sérias". O porta-voz Dmitry Peskov afirmou que o governo russo está analisando cuidadosamente as ameaças de novas sanções e que uma resposta será dada no tempo apropriado.


A possível implementação dessas medidas pode não apenas intensificar as tensões entre Rússia e EUA, mas também arrastar países terceiros para a disputa, criando novos dilemas geopolíticos para nações como o Brasil.


 


O que está em jogo para o Brasil?


A depender dos rumos da proposta americana, o Brasil pode ter que escolher entre manter uma relação comercial vantajosa com a Rússia ou alinhar-se à política externa dos EUA e seus aliados ocidentais. Essa decisão impacta não apenas a balança comercial, mas também o posicionamento diplomático brasileiro em meio à guerra da Ucrânia — um conflito que já ultrapassa dois anos e segue sem uma solução próxima.


 


Além disso, uma tarifa de 100% sobre o petróleo russo encareceria os custos logísticos no Brasil, afetando diretamente setores como transporte, produção agrícola e indústria — que dependem fortemente de combustíveis como o diesel.

# Fonte CBN / Foto:commons.wikimedia

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