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Notícias | Economia


Pecuaristas dos EUA defendem tarifa e querem banir carne bovina do Brasil

21/07/2025

Em meio ao aumento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, um grupo em particular comemora: os pecuaristas americanos. A Associação Nacional de Pecuaristas dos Estados Unidos (NCBA, na sigla em inglês), uma das mais antigas e influentes do setor agropecuário do país, declarou apoio à proposta do ex-presidente Donald Trump de impor uma tarifa de 50% sobre a carne bovina brasileira. Mais do que isso, a entidade defende uma medida ainda mais drástica: a suspensão total das importações de carne do Brasil.


Um “bom começo”, segundo os pecuaristas americanos


A NCBA, que representa os interesses de criadores de gado dos EUA desde 1898, afirma que há anos pleiteia o bloqueio total da carne bovina brasileira. Em nota divulgada à CNN, a entidade afirmou:



“Uma tarifa de 50% é um bom começo, mas precisamos suspender as importações de carne bovina do Brasil para que possamos conduzir uma auditoria completa.”



O motivo alegado? Questões sanitárias. Para os produtores norte-americanos, o Brasil demonstra, segundo eles, uma “abismal falta de responsabilidade em relação à saúde do gado e à segurança alimentar”.


Doença da vaca louca e febre aftosa são os principais pontos de atrito


A NCBA cita, especificamente, episódios envolvendo a Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), conhecida popularmente como doença da vaca louca, além do histórico brasileiro com febre aftosa. Segundo a entidade, o Brasil teria falhado em reportar de maneira adequada casos atípicos da doença, o que, na visão dos pecuaristas americanos, representa um risco à segurança alimentar e à integridade do rebanho nacional dos EUA.


No entanto, o governo brasileiro contesta com firmeza essas alegações.


Governo brasileiro rebate e defende sanidade do rebanho nacional


O Ministério da Agricultura brasileiro respondeu às críticas, ressaltando que o Brasil nunca registrou um caso clássico de vaca louca — aqueles causados pela ingestão de alimentos contaminados, como a farinha de carne e ossos, que desencadeou surtos na Europa nas décadas passadas.


Segundo o Ministério:



“O Brasil teve apenas seis casos atípicos da doença, registrados de forma transparente às autoridades sanitárias internacionais.”



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Esses casos atípicos são considerados espontâneos e sem risco para a cadeia de produção de carne. Ocorrem, geralmente, em animais mais velhos, por mutação natural de proteínas, sem ligação com práticas alimentares inadequadas. Por esse motivo, desde 2012, o Brasil mantém da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) o status de país com risco insignificante para a doença.


Disputa comercial ou disputa sanitária?


A retórica adotada pelos pecuaristas americanos levanta uma questão relevante: trata-se de um embate técnico-sanitário ou de uma medida protecionista disfarçada?


Nos bastidores, especialistas do setor agropecuário veem com preocupação o uso de justificativas sanitárias para restringir o comércio internacional, especialmente quando não há embasamento técnico suficiente para tais ações.


A carne bovina brasileira é exportada para mais de 100 países e segue os rigorosos protocolos exigidos por parceiros comerciais. Ainda assim, os embargos por parte dos EUA não são novidade. Em diferentes momentos, os americanos já suspenderam ou limitaram a entrada do produto nacional sob alegações semelhantes.


O que pode acontecer agora?


Caso Trump avance com sua proposta — e ela seja implementada, caso volte à presidência — o impacto econômico pode ser sentido principalmente pelos frigoríficos brasileiros que atuam no mercado premium dos Estados Unidos. No entanto, o Brasil tem diversificado seus mercados e fortalecido laços comerciais com países asiáticos, especialmente a China, principal destino da carne bovina brasileira.


 


Ainda assim, uma eventual suspensão completa das importações americanas pode gerar ruídos diplomáticos e abrir espaço para disputas na Organização Mundial do Comércio (OMC)

# Fonte: CNN / Foto: Freepik

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