Combater a corrupção é uma tarefa de todo o país e não de um indivíduo, diz Moro*
30/09/2019
*Combater a corrupção é uma tarefa de todo o país e não de um indivíduo,
diz Moro*
*Ministro da Justiça e da Segurança Pública, que palestrou na manhã desta
segunda-feira (30) em Florianópolis, quer apoio da sociedade civil*
Na manhã desta segunda-feira (30), o ministro da Justiça e da Segurança
Pública, Sergio Moro, disse que quer a ajuda da sociedade civil e de
instituições para combater a corrupção. Ele palestrou no auditório do
Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), em Florianópolis, e falou
sobre as prioridades do Ministério, a necessidade de parcerias e integração
e criticou o legado de gestões anteriores. À tarde, participou de agenda
com o governador Carlos Moisés da Silva.
No discurso, o ministro explicou sua decisão de aceitar o convite de Jair
Bolsonaro para comandar a pasta. Disse que a inércia é "uma das maiores
forças" que dificulta o desejo de mudança e que a sua atuação à frente do
ministério é "um trabalho de continuidade" da operação Lava Jato, já que
tem como foco o combate à corrupção.
Em um paralelo ao próprio trabalho como juiz, criticou uma "cultura de
impunidade" e disse que encontrou durante o andamento da Lava Jato uma
corrupção "como hábito" de um sistema, e que traz "deterioração dos cofres
públicos e da dignidade do país". Além disso, disse que o combate à
corrupção "é uma tarefa de todo o país e não de um indivíduo específico".
Ainda relacionou os resultados da operação com o combate a outras práticas
criminosas. "Se nós podemos enfrentar a corrupção, nós podemos também fazer
algo concreto contra aquilo que aflige o brasileiro todo os dias", afirmou.
E apontou que a segurança será fator determinante para o desenvolvimento de
uma economia sólida para o país.
Ações do Ministério
Moro reservou a metade final do discurso para enumerar as ações do
ministério. Segundo ele, o foco é o combate à corrupção, ao crime
organizado e à criminalidade violenta. Citou como primeira ação importante
a transferência de presos do PCC para fora do estado de São Paulo, e
anunciou a contratação de 500 policiais federais até o final do ano e mais
500 no primeiro semestre de 2020.
Disse ainda que está no seu planejamento a retomada do controle em
presídios. Para isso, o ministério está "identificando gargalos para
destravar investimentos do setor". Um dos problemas é a falta de
profissionais.
Outra preocupação é quanto às fronteiras. "É impossível ter um controle
absoluto das nossas fronteiras. Nem países que tem orçamento maior que o
nosso, como os Estados Unidos, tem êxito completo", afirmou. Logo após, fez
anúncio de um programa de fiscalização de fronteiras iniciado no Mato
Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná.
Moro disse ainda que encontrou a Polícia Federal "desmantelada pelas
gestões anteriores" e que o COAF estava "esquecido".
Na próxima quinta-feira (3), o governo federal lançará uma campanha
publicitária pela aprovação do chamado pacote anticrime, conjunto de
medidas apresentadas por Moro que está parado no Congresso Nacional. A
ideia é que, com o fim da discussão sobre a reforma da Previdência, esta
pauta tenha mais atenção do Planalto.
O evento
Moro participou do Momento Brasil, série de eventos da Associação
Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão (Acaert) que discute o
cenário brasileiro com autoridades nacionais. Ao final da palestra recebeu
uma placa em homenagem pela atuação profissional dos últimos anos. Foi
aplaudido de pé antes e após a fala.
O presidente da Acaert, Marcello Correa Petrelli, aproveitou a parceria
entre poder Judiciário e imprensa para afirmar que as duas instituições são
pautadas pela ética, pelo respeito e pela tolerância. Disse que Moro é "o
maior expoente do governo da mudança" e que a imprensa "não pode pecar pela
omissão".
"Sua decisões foram fundamentais para combater a maior organização
criminosa do mundo", disse, "exemplarmente e imparcialmente, para todos
aqueles que cruzaram a limite da ética pensando no benefício próprio",
completou.
O anfitrião e presidente do TJSC, desembargador Rodrigo Collaço, disse que
é foi "um profundo orgulho" receber o ministro na sede do Tribunal. "A
partir da Lava Jato e do trabalho do ministro Moro nós conseguimos
visualizar uma grande anomalia na sociedade que é a relação promíscua
capital-Estado", afirmou. Segundo ele, este trabalho criou "a possibilidade
de um Brasil novo".
Presença
O presidente da Associação dos Jornais do Interior de Santa Catarina
(Adjori/SC), José Roberto Deschamps, acompanhou o evento ao lado do
vice-presidente da entidade, Valmoci Jesus de Souza, da vice-presidente
para a Grande Florianópolis, Daiane de Abreu Rodrigues, do vice-presidente
para o Sul, Alaor Alexandre, e do vice-presidente de gestão e finanças da
Associação dos Diários do Interior de SC (ADI/SC), Adriano Kalil.
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