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Notícias | Política


SC terá delegacias regionais anticorrupção

15/10/2019

*Em entrevista à ADI/SC e Adjori/SC, delegado-geral da Polícia Civil, Paulo
Koerich, anunciou as regiões que devem receber as unidades*

Delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Paulo Koerich, acredita
que o policial é o grande responsável pelos bons índices de segurança do
Estado. Além disso, afirma que a integração das forças de segurança foi
essencial para redução da criminalidade.

Em entrevista para a Associação dos Diários do Interior de SC (ADI/SC) e
para a Associação dos Jornais do Interior de SC (Adjori/SC), Koerich falou
sobre as novas delegacias anticorrupção, combate às organizações
criminosas, e o mandato como presidente do Colegiado Superior de Segurança
Pública.


ADI/Adjori - Santa Catarina registrou queda no número de índices de
violência. De onde vem essa redução?

Paulo Koerich - Esses índices eu reputo que devem-se, principalmente, ao
fato de as polícias terem aumentado a integração de suas ações. E quando eu
falo integração, é no sentido de a Polícia Militar realizando as operações
ostensivas, da Polícia Civil com trabalho de inteligência, no sentido de
retirar de circulação pessoas que praticaram atos criminosos e possuem
contas a prestar para com a Justiça.

ADI/Adjori - Alguns especialistas apontam que a redução da criminalidade
estaria vinculada à queda de conflitos entre organizações criminosas. Isso
aconteceu em Santa Catarina?

Koerich - Em Santa Catarina a polícia organiza operações semanais, para não
dizer diárias, no sentido de coibir a ação de organizações criminosas.
Tanto é que nós temos, quase que semanalmente, operações aqui na Grande
Florianópolis tirando de circulação pessoas que integram organizações
criminosas, dessa forma é que nós mantemos o controle e o Estado com
índices diferenciados em relação aos demais estados do Brasil.

ADI/Adjori - A gente teve casos nos últimos anos promovidos por essas
organizações. Hoje, a situação está mais controlada?

Koerich - Sim, está mais controlada. Com certeza.

ADI/Adjori - Sobre a integração das polícias... não é uma coisa que
acontece do dia para noite. Há algo para melhorar? Qual a sua avaliação?

Koerich - O governador, de uma forma inovadora e ousada, criou uma forma
diferente de gestão com a criação do Colegiado Superior de Segurança
Pública. Os dirigentes das instituições policiais, do Corpo de Bombeiros, e
do Instituto Geral de Perícias, sentam semanalmente à mesma mesa e discutem
ações relacionadas à segurança pública, quais são as demandas que as
instituições têm, no que uma pode auxiliar a outra, que é o que acontece na
grande maioria das vezes, e dessa forma, busca-se o quê? A integração e o
respeito à legislação.

ADI/Adjori - E lá na ponta? Está dando certo?

Koerich - Com certeza. Ela está funcionando.

ADI/Adjori - No ano que vem o senhor assume como presidente do Colegiado.
Quais são os planos?

Koerich - O que eu planejo é dar continuidade ao trabalho que vem sendo
feito: a integração das forças policiais, o respeito ao cidadão, e buscar a
melhoria da condição de trabalho para todos os nossos policiais e bombeiros
militares e peritos oficiais. É continuar o trabalho que está sendo feito.

ADI/Adjori - Alguma demanda específica, por equipamento ou por pessoal?

Koerich - Na verdade, nós sempre temos a demanda. Não adianta o dirigente
dizer que está satisfeito. Enquanto nós estamos conversando aqui, alguma
ferramenta nova de segurança pública está sendo lançada. O que a gente
busca é o aperfeiçoamento do nosso policial com cursos continuados de
formação, como também a ampliação das condições de trabalho, buscando a
inteligência artificial. Nunca tivemos tantos policiais sendo enviados para
fora do país e para outros estados da Federação em treinamento como nós
temos nesses dez meses.

ADI/Adjori - O ministro Sergio Moro esteve em Santa Catarina e disse que
tem vontade de fomentar delegacias anticorrupção nos estados. O senhor
conversou com ele? Como isso acontecerá em SC?

Koerich - Nós já temos uma delegacia que atua nesta área de combate a
corrupção e crimes contra o patrimônio público na DEIC. O projeto que o
Ministério da Justiça apresentou é que esta ação seja ampliada. Para tanto,
a Polícia Civil, antes disso, já vinha trabalhando numa reformulação
visando a criação de outras unidades de combate à corrupção em outras
regiões de Santa Catarina. Então veio a complementar. Nós vamos abrir, em
um primeiro momento, quatro ou cinco novas delegacias que atuarão em
macrorregiões e essas delegacias atuarão especificamente no combate à
corrupção. Serão uma na região Sul, uma ampliação aqui na DEIC da Capital,
no Norte, no Meio-Oeste, e Extremo-Oeste. São delegacias de combate à
corrupção que terão uma coordenadoria estadual vinculada à Delegacia-Geral.
Essas delegacias atuarão especificamente, os policiais atuarão
especificamente, no combate à corrupção.

ADI/Adjori - Existe um prazo?

Koerich - Nós temos um programa que estamos buscando superar. Existe uma
questão histórica que á a carência de efetivo. Temos uma realidade
logística que tem que ser respeitada dentro da academia de polícia, porque
nós temos que formar novos policiais, e temos que continuar com os cursos
de formação continuada. Tanto é que até o mês de julho retornaram à
academia cerca de 1,5 mil policiais civis. São ações inovadoras que nós
estamos buscando. Nós passamos nesses dez meses por uma revolução na
administração da Polícia Civil. Temos hoje um planejamento estratégico
sendo redigido e sendo levado à fase final de elaboração com assessoramento
de pessoas que têm conhecimento específico na área.

ADI/Adjori - Esse planejamento estratégico mudaria mais os processos de
gestão do que lá na ponta?

Koerich - Se você tiver gestão interna e organização, o resultado na ponta
você altera também.

ADI/Adjori - Santa Catarina tem dados positivos sobre resolução de crimes.
Como o senhor avalia estes índices?

Koerich - O resultado que nós temos deve-se, primeiro, à qualidade do nosso
policial civil e à dedicação dos nossos policiais como um todo. Segundo,
nós temos com isso *know how* que nenhuma outra polícia tem. Por exemplo,
resolução de sequestros. Santa Catarina é detentora de um *know how* único.
Nós temos todos os nossos sequestros, há mais de 25 anos, todos
solucionados. Todas as vítimas resgatadas com vida, ilesas, sem ter pago um
resgate, e com todos os autores identificados. Agora, tudo isso ainda
requer aprimoramento e é um trabalho lento. Como o país, o Estado também
tem uma deficiência de recursos e nós trabalhamos com os recursos que nós
temos. Por isso que reputo que o sucesso das nossas operações, das nossas
ações, deve-se à qualidade dos policiais que Santa Catarina tem e que fazem
a diferença a nível de Brasil.

# Adjori/SC e ADI

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