Com críticas à mídia e à Justiça, UFSC se despede de Cancellier
03/10/2017
Professores, alunos e servidores técnico-administrativos enfatizaram o baque sofrido pela Universidade após a Operação. O presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e reitor da Universidade Federal do Pará (UFPA), Carlos Edilson de Almeida Maneschy, defendeu a autonomia das universidades: "Querem desqualificar as universidades públicas, atacam o direito à educação pública".Com o auditório Garapuvu lotado e sob constantes aplausos, familiares, amigos e colegas discursaram durante Sessão Solene Fúnebre do Conselho Universitário na despedida do reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo. Durante as falas, houveram muitas críticas à postura da imprensa na cobertura dos últimos fatos que envolveram o reitor e também à Justiça sobre a forma com que foi conduzida a Operação Ouvidos Moucos. Todos que ocuparam o microfone citaram os excessos cometidos, desde a prisão de Cancellier no dia 14 de setembro, até as restrições que se seguiram e culminaram no suicídio na manhã desta segunda-feira (2).
O ex-senador Nelson Wedekin subiu ao púlpito para relembrar a luta de Cancellier contra a ditadura militar. Para ele, é hora novamente de lutar por direitos como liberdade e verdade. "Mãos visíveis e invisíveis o empurraram das alturas", disse. "Os ditadores de espírito nunca morrem. Estão esperando para voltar."
O representante dos docentes, professor Gregorio Varvakis, falou sobre o julgamento prévio que Cancellier sofreu. Criticou os ânimos exaltados pela punição desmedida e contrária ao Estado de direito, e também a "sede de um espetáculo midiático".
O primeiro a falar foi o mestrando Leonardo Moraes, orientando de Cancellier e aliado político nas eleições universitárias. Emocionado, Leonardo disse que Cancellier era um professor sem estar na sala de aula e que os estudantes iam dar seguimento ao seu legado. Quando chamou a Operação Ouvidos Moucos de arbitrária, foi aplaudido de pé.
O governador do Estado em exercício, Eduardo Pinho Moreira leu a nota de pesar emitida pelo procurador-geral do Estado, João dos Passos Martins Neto, que endossa as críticas. "A tragédia de sua partida ocorre sob condições revoltantes. As informações disponíveis indicam que Cancellier padeceu sob o abuso de autoridade, seja em relação ao decreto de prisão temporária contra si expedido, seja em relação à imposição de afastamento do exercício do mandato, causas eficientes do dano psicológico que o levaram a tirar a própria vida", disse, parafraseando o procurador.
O velório do corpo de Cancellier termina às 15h na UFSC quando, em cortejo, será levado ao Cemitério Jardim da Paz, em Florianópolis, para sepultamento.
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