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Dia do trabalhador: Procura por emprego cresce em Santa Catarina

30/04/2015

Realidade está ligada à diminuição de renda das famílias, de acordo com Fecomércio/SC e Fiesc. Qualificação da mão-de-obra ainda deixa a desejar



Santa Catarina é um dos estados que mais se destaca pela oferta de trabalho no Brasil. Mas, mesmo em vantagem em relação a outras regiões do país, o saldo líquido de vagas no começo de 2015, por aqui, apresenta quedas. De acordo com o assessor econômico da Fecomércio/SC, Luciano Córdova, a diferença entre as contratações e demissões no setor produtivo catarinense no primeiro trimestre deste ano foi de -41,7%, comparado ao mesmo período de 2014.



Ou seja, mais pessoas estão procurando emprego e preenchendo vagas outrora remanescentes. “A redução do nível de renda dos brasileiros, nos últimos meses, fez com que mais pessoas da mesma família passassem a buscar emprego”, explica Córdova.

A realidade é sentida por empresas como a JBS, em Itapiranga, no Extremo Oeste de Santa Catarina, que conta com um quadro fixo de, em média, 3,15 mil colaboradores. A gerente de recursos humanos, Valicir Melchiors Trebien, conta que tem percebido, ao longo dos últimos meses, especialmente de fevereiro para cá, uma procura maior. “Mais pessoas estão se candidatando para trabalhar e menos funcionários têm saído da empresa”, observa. “A gente imagina que tudo isso seja reflexo desse momento econômico que o país está passando. As dificuldades enfrentadas pelo comércio e pela agricultura, especialmente na questão do leite, são exemplos dessa crise”, avalia a gerente de RH.

Em Canoinhas, no Planalto Norte, o saldo de empregos também caiu. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), de 1º de janeiro a 28 de fevereiro, mostram 1.094 admissões e 909 demissões. Em Três Barras, na mesma região, 90 pedidos de carteiras de trabalho são solicitados mensalmente junto ao posto do Ministério do Trabalho – entre primeira e segunda via. O posto do Sistema Nacional de Empregos (Sine) da cidade registra, em média, 70 pedidos de seguro desemprego.

Falta qualificação

Se, de um lado, as vagas não são mais tão abundantes, de outro, a qualificação dos trabalhadores ainda deixa a desejar. “A dificuldade de encontrar trabalhadores qualificados ainda é uma realidade, principalmente em municípios mais distantes da Capital”, afirma Córdova, da Fecomércio.

Uma pesquisa realizada pelo Movimento A Indústria pela Educação - encabeçado pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) - no quarto trimestre do ano passado mostra que a maior dificuldade de encontrar pessoas qualificadas ainda está na linha de produção. Na ocasião, 67% dos industriais consultados apontaram empecílios para contratar mão de obra com o ensino básico.

A qualificação, desde o começo do Movimento, há cerca de dois anos, aumentou. Em 2012, 47% dos colaboradores na Indústria não tinha nem o ensino básico completo. Agora, são 55% com o ensino básico completo. “Mesmo assim, apesar do esforço do Movimento e da evolução que observamos até agora, sabemos que temos muito a fazer”, admite o diretor executivo do movimento A Industria pela Educação, Antonio José Carradore.

Todos pela Educação

“Estamos bem otimistas. Queremos chegar a 63% dos trabalhadores com ensino básico em 2017”, projeta Carradore. Só no ano passado, o sistema Fiesc realizou 877 mil matrículas no sistema Senai, IEL e Sesi. A intenção é mudar os números de uma pesquisa que aponta que 39% dos jovens com 19 anos não concluíram o ensino médio. “A ideia é trazer secretarias municipais e a estadual de Educação para resolver o problema, já na base”, conclui.

No caso da Indústria, há cursos que são oferecidos dentro das próprias empresas. Na JBS, em Itapiranga, por exemplo, funcionários têm acesso ao ensino fundamental e ao médio (antigos de 1º e 2º grau). Além disso, a JBS também incentiva a formação profissional. 



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