Empresa que desviou doações na fatura da Celesc atuava para 15 entidades em SC e outros estados
08/09/2025
A empresa terceirizada investigada por desviar doações feitas por meio da fatura da Celesc prestava serviços para pelo menos 15 entidades, dentro e fora de Santa Catarina. De acordo com a Polícia Civil, hospitais de Joinville, Blumenau e Brusque também foram vítimas do esquema. Três suspeitos foram presos na última semana.
— Nós temos a informação inicial de que essas empresas atendiam até 15 entidades filantrópicas, hospitais com esse modelo de call center captando recursos direcionados a doações. Agora, na segunda fase da operação, vamos analisar o fluxo financeiro e entender se outras instituições também foram alvo de desvios — afirmou o delegado regional Rafaello Ross.
Segundo o delegado, ao menos sete CNPJs já foram identificados como recebedores do dinheiro desviado. Entre eles, estaria um grupo de escoteiros.
— A princípio foi criado um grupo de escoteiros, mas verificamos que ele não é filiado à União de Escoteiros do Brasil e não possui regulamentação oficial. O contrato firmado com a empresa intermediária previa que 94% dos valores arrecadados ficariam com a própria empresa, o que já chama atenção. Durante a investigação, constatamos que a estrutura desse grupo era precária, sugerindo que ele foi criado apenas para captar doações e desviá-las. O responsável também foi preso na Operação Falso Samaritano — destacou Ross.
Foram presos temporariamente três homens, entre eles Slaviero Mario Bunn, responsável pela Slaviero Benefits, empresa contratada pelas instituições. Eles devem permanecer reclusos por cinco dias, mas a prisão preventiva pode ser solicitada conforme o andamento das investigações.
De acordo com a Polícia Civil, em dois anos e meio, apenas R$ 800 mil chegaram efetivamente às instituições, enquanto R$ 4 milhões foram desviados.
A Operação Falso Samaritano revelou que a Slaviero Benefits, de Joinville, se apresentava como especialista em captação de recursos para entidades filantrópicas e utilizava o convênio da Celesc para cobrar as doações diretamente na conta de energia elétrica.
O primeiro contrato foi firmado em 2016 com o Hospital Bethesda, que acabou sendo prejudicado pelo esquema. O modelo consistia em ligar para potenciais doadores, oferecendo a opção de contribuição mensal incluída na fatura de luz.
No entanto, a empresa intermediária repassava códigos diferentes à Celesc, vinculando os valores arrecadados a instituições que não eram as legítimas destinatárias. Assim, doações feitas em nome de hospitais e entidades eram desviadas para outras contas.
Além disso, a empresa chegou a inserir cobranças não autorizadas nas faturas de energia, lesando também consumidores.
Em nota, a Celesc informou que não participa da gestão nem da destinação dos recursos arrecadados, atuando apenas como intermediária do repasse às entidades conveniadas.
“No caso investigado, foram identificadas empresas que, de má-fé, ligavam para consumidores solicitando doações, mas não repassavam integralmente os valores às instituições. Importante ressaltar que, antes mesmo da operação policial, a companhia já havia adotado medidas preventivas, como reforço na fiscalização dos convênios, implementação de novos controles e envio de aviso ao consumidor sempre que há inclusão de débitos de doação nas faturas”, declarou a companhia.
A reportagem segue em contato com a defesa dos presos, que até o momento não se manifestou. O espaço segue aberto para posicionamento.
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