Jair Júnior vice-prefeito de Lages se torna réu por crimes contra ex-namorada
09/02/2026
O processo contra Jair Júnior vice-prefeito de Lages envolve quatro crimes graves após agressões em março de 2023. A ação penal analisa hematomas e provas de perseguição, enquanto o impeachment na Câmara foi barrado por questões jurídicas específicas sobre o cargo de vice.
A calmaria aparente da vida pública esconde, por vezes, tempestades de dor entre quatro paredes. Em Lages, o nome de Jair Júnior vice-prefeito de Lages, deixou de circular apenas nos bastidores políticos para estampar denúncias graves de violência doméstica. O que começou como uma relação transformou-se em um pesadelo no dia 22 de março do ano passado, quando a ex-namorada do político viveu horas de pavor, sendo vítima de sufocamento e cárcere privado.
Segundo os relatos emocionantes contidos no processo, a vítima só conseguiu recuperar sua liberdade física após recorrer a uma estratégia desesperada: a humilhação. Ela precisou afirmar que ainda o amava para que as portas se abrissem. Mas o terror não terminou na calçada da residência. Acompanhada pela irmã, ela buscou refúgio na delegacia, mas Jair Júnior teria atravessado o carro à frente da motocicleta das duas, tentando impedir que a lei fosse acionada.
Enquanto o boletim de ocorrência era registrado, o medo permanecia do lado de fora: o político circulava as imediações da unidade policial. Preso em flagrante na época, ele foi liberado no dia seguinte após o pagamento de fiança.
A denúncia do Ministério Público, baseada em laudos que apontam hematomas e um comportamento violento reiterado, transformou o político em réu por quatro crimes específicos:
Apesar da gravidade, uma tentativa de impeachment na Câmara de Vereadores foi barrada pela Justiça de Santa Catarina. O argumento técnico foi de que a legislação utilizada para o processo era exclusiva para prefeitos, e não vice-prefeitos, mantendo o cargo de Jair Júnior intacto enquanto ele aguarda o julgamento em segredo de justiça.
Atualmente sem partido, o político segue sob investigação. Procurada, a defesa, representada pelo advogado Guilherme Ramos, optou pelo silêncio, justificando que a produção de provas ainda está em curso. O caso, que tramita sob sigilo, é um lembrete doloroso das feridas invisíveis que a violência contra a mulher deixa na sociedade catarinense.
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