Qualidade de vida no trabalho é aposta da Indústria para alavancar produtividade
19/05/2015
Os custos com doenças e acidentes de trabalho nas empresas brasileiras só crescem (os planos de saúde representam 10% da folha de pagamento e apresentam inflação de 18% ao ano, três vezes maior do que a geral) e a produção vem apresentando queda nos últimos meses. O cenário poderia ser desanimador, mas, para a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), é desafiante. Para o presidente da federação, Glauco José Côrte, a chave para mudar esta realidade é apostar na qualidade de vida do chamado capital humano das corporações. Durante a abertura do Global Healthy Workplace Award & Summit, evento mundial de qualidade de vida no trabalho, na manhã desta segunda-feira (18), em Florianópolis, ele destacou que “os trabalhadores são o principal diferencial para a qualidade e a competitividade nos negócios”.
“Temos dados interessantes que mostram que a maior parte das doenças do trabalho nem são causadas por acidentes, mas por fatores psicossociais”, revela o presidente da Fiesc, Glauco Côrte.
“Cada real despendido para qualidade de vida nas empresas se traduz em produtividade”, reforçou o palestrante da manhã da abertura do evento, Rafael Luchesi, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Sesi Brasil e Senai.
Durante o evento, que vai até a terça-feira (19), os maiores especialistas em qualidade do trabalho do mundo estarão reunidos no Costão do Santinho para debater o assunto.
“Estamos aqui compartilhando experiências e conhecimento do mundo todo. O nosso trabalho é árduo”, avaliou Tommy Hutchinson, do Centro Mundial para Ambientes de Trabalho saudáveis, do Reino Unido.
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Brasil tem 2,5 milhões de pessoas afastadas do trabalho
Durante a palestra magna da manhã de segunda-feira, Luchesi apresentou números que mostram o quanto a falta de saúde pode pesar financeiramente para as empresas e para o poder público. O Brasil é campeão mundial de afastamento do trabalho - hoje são 2,5 milhões de pessoas afastadas, sendo que o número total de trabalhadores da indústria, por exemplo, é de 12 milhões de pessoas. Ainda em 2015, 120 mil vidas devem ser afastadas do trabalho laboral e apenas 15 mil devem ser reabilitadas. Para o poder público, o prejuízo foi de R$ 70 bilhões em 2015.
Entre 2010 e 2014, houve 711 mil casos de doenças e acidente de trabalho por ano, o que representa 35 milhões de dias de trabalho e um impacto financeiro de 23 bilhões de dólares.
“Em grande parte por causa da legislação extremamente frouxa e de uma máquina ineficiente de reabilitação”, avalia Luchesi.
Por isso, a ideia do Sesi é unir forças com o poder público para a promoção da saúde, melhoria dos ambientes de trabalho e reabilitação de trabalhadores da indústria.
Mais sobre o Sesi
- Tem mais de 1 mil postos de atendimento em todo o Brasil
- Atende 4 milhões de trabalhadores industriais - mas o objetivo é atender todos os 12 milhões de trabalhadores da Indústria
- Promove programas de saúde e segurança no trabalho
- Programas médicos e de engenharia para as empresas
- Programas de vacinação para reduzir faltas por gripe, por exemplo, distribuindo vacinas
- Programas de alimentação saudável
- Promoção de exercícios físicos
- Saúde bucal
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