Seminário de autismo reúne especialistas e famílias em Florianópolis
13/08/2026
Os dados da Fundação Catarinense de Educação Especial (FCEE) mostram que 62,6% desse total são do sexo masculino, com forte concentração em municípios como Joinville e Florianópolis. O Estado também tem legislação específica, carteira de identificação gratuita e programas voltados à inclusão.
Presidente da Federação das Associações de Amigos do Autista de Santa Catarina (Feamas-SC), Catia Cristiane Purnhagen Franzoi disse que o seminário ajuda a disseminar informações e a fortalecer o atendimento às pessoas com autismo. Ela afirmou que a capacitação dos profissionais pode melhorar o trabalho nas instituições e, consequentemente, o desenvolvimento de crianças, adolescentes e adultos com TEA.
“Nós precisamos cada vez mais levar a informação e, com isso, conseguir desenvolver um trabalho consistente para o desenvolvimento das crianças, jovens e adultos com autismo.”
Catia também defendeu ampliar a oferta de atendimento e reduzir as filas de espera. Em Balneário Camboriú, onde atua, são aproximadamente 500 crianças aguardando atendimento. Em Itajaí, a fila chega a cerca de 1,2 mil crianças. Além disso, a federação tem aproximadamente 32 Associações de Amigos do Autista (AMAs) cadastradas e outras cerca de 30 entidades recém-criadas recebem suporte para buscar credenciamento e integrar a rede.
A presidente da AMA Florianópolis (Associação de Pais e Amigos do Autista de Florianópolis), Daniela Dias Steindorff, reforçou a necessidade de ampliar o conhecimento e qualificar o atendimento às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Mãe atípica e há anos atuante na defesa dos direitos, da inclusão e da acessibilidade da população autista na Capital, ela disse que a experiência cotidiana mostra que não existem soluções padronizadas para o autismo.
A participação dela no seminário também levou ao debate a voz das famílias que acompanham há décadas os desafios da inclusão e da garantia de direitos.
A palestra “A Arquitetura do Aprendizado: Autismo, Neurociência e DUA”, ministrada pelo professor e especialista em autismo Eugênio Cunha, abriu a agenda do evento. Ele tratou da aprendizagem de crianças e adolescentes com TEA no ambiente escolar e defendeu aproximar conhecimentos contemporâneos da neurociência das práticas pedagógicas, usando também os princípios do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA).
“Cada criança autista é uma criança autista. Cada adolescente autista é um adolescente autista. A gente tem que primar pela possibilidade de criar estratégias diferenciadas.”
Para Eugênio Cunha, o desafio está em personalizar o processo de aprendizagem em um ambiente escolar marcado pela diversidade.
A experiência das famílias também ocupou espaço central no seminário. Alessandra Couto Vieira, mãe de Tiago, de 18 anos, autista, destacou a importância de transformar o conhecimento adquirido pelos profissionais em ações concretas dentro das famílias e das instituições. Ela coordena a AMA Navegantes.
A programação reuniu especialistas para discutir neurociência, Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA), estratégias baseadas em evidências, comunicação, habilidades motoras, processamento sensorial e autorregulação. No período da tarde, Claudia Sabatini apresentou “Dos Preditores ao Desempenho Escolar: Estratégias Baseadas em Evidências para o Aluno Autista” e “Neurociência da Aprendizagem e Práticas e Recursos Pedagógicos para Inclusão do Aluno com Autismo: Da Teoria à Sala de Aula”.
Fernando Calil tratou da relação entre comunicação, habilidades motoras e processamento sensorial na inclusão escolar nas palestras “Da Regulação à Aprendizagem: O Papel da Comunicação, das Habilidades Motoras e do Processamento Sensorial na Inclusão Escolar” e “Neurociência da Autorregulação: Como Compreender o Corpo para Prevenir e Manejar Crises”. Sabrina Padilha encerrou a programação com “Em Nome do Filho: A Jornada da Maternidade Atípica”.
O seminário ampliou a compreensão sobre os desafios enfrentados pelas pessoas com TEA e suas famílias. Também reforçou o diálogo entre ciência, educação, famílias e poder público. A realização pelo Parlamento catarinense reforça o papel da instituição como espaço de debate sobre temas que afetam diretamente a população.
Entre as medidas de apoio às pessoas com TEA em Santa Catarina está a Carteira de Identificação do Autista, emitida gratuitamente pela Fundação Catarinense de Educação Especial (FCEE) para garantir atendimento prioritário em serviços públicos e privados. O Estado também tem leis e iniciativas voltadas à garantia de atendimento especializado e à proteção dos direitos das pessoas com autismo.
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