Tainhas mortas em Jurerê Internacional mobilizam autoridades e pescadores em Florianópolis
12/03/2026
O surgimento de peixes marinhos em águas salobras de Florianópolis acende alerta para a safra da tainha. A Prefeitura e a empresa Habitasul monitoram o impacto ambiental no sistema de captação de água, enquanto o IMA aguarda notificação formal sobre o incidente.
Moradores e pescadores de Jurerê Internacional, área nobre de Florianópolis, encontraram diversas tainhas mortas em um lago artificial na quarta-feira (11). Os peixes, típicos do litoral catarinense, surgiram na superfície enquanto a empresa responsável pela gestão do bairro realizava a retirada de macrófitas, plantas aquáticas que crescem no reservatório.
A ocorrência chamou a atenção da comunidade local devido ao porte dos animais e à preocupação com a safra da tainha na região. Segundo o biólogo Emerilson Emerim, que presta consultoria à empresa Habitasul, a própria manutenção do lago pode ter desencadeado o problema.
“A própria limpeza causa uma movimentação nos materiais do lago, o que pode ter alterado temporariamente o nível de oxigênio na água, causando a mortandade”, explicou Emerim. O especialista afirmou que o procedimento é uma manutenção periódica necessária para o sistema de captação de água da região, que é monitorado regularmente pela gestora.
A presença de peixes de água salgada em um lago artificial é explicada pela conexão com canais costeiros. “Tem canais que ligam áreas com água salgada e água salobra e, eventualmente, essas espécies podem adentrar essas lagoas costeiras”, destacou o biólogo. Vídeos registrados no local mostram trabalhadores utilizando uma retroescavadeira para remover os animais mortos da água.
Pescadores locais sugerem que as condições das marés podem ter aprisionado o cardume. “Com certeza, foi algum cardume que entrou com a maré alta. Deu direto na lagoa, que tem um braço de rio que sai direto nela. Como a maré baixou, o peixe não teve mais como sair”, relatou uma testemunha ao G1 SC.
A Prefeitura de Florianópolis informou que está em contato com a empresa Habitasul para verificar os detalhes do ocorrido e avaliar possíveis medidas administrativas. Já o Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) comunicou que, até o momento, não foi acionado para intervir na ocorrência. O monitoramento da qualidade da água segue sob responsabilidade da gestão do bairro.
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