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Uso excessivo de telas na infância pode afetar cérebro e comportamento

05/08/2025

É cada vez mais comum ver crianças pequenas dominando celulares e tablets com uma familiaridade impressionante. Mas, por trás dessa cena aparentemente moderna e inofensiva, cresce uma preocupação entre especialistas em saúde e educação infantil: o uso excessivo de telas pode prejudicar o desenvolvimento cognitivo, emocional e físico de crianças e adolescentes.


A infância é uma fase crítica do desenvolvimento cerebral. Nesse período, o cérebro forma conexões neurais a partir de estímulos reais, como o contato físico, as interações sociais e as experiências sensoriais do ambiente. E é justamente aí que mora o problema: telas não oferecem a complexidade que o cérebro em crescimento precisa.


Como o excesso de estímulos digitais afeta o cérebro infantil


Ao consumir conteúdos digitais por horas seguidas, a criança é exposta a um tipo de estímulo rápido, repetitivo, colorido e sonoro que ativa o sistema de recompensa do cérebro. Isso pode gerar um comportamento de dependência e reduzir a tolerância a atividades mais lentas e cognitivamente exigentes, como ler, escrever ou se concentrar nas aulas.


Segundo especialistas em neurodesenvolvimento, o uso frequente de telas pode comprometer habilidades essenciais, como:


Empatia e reconhecimento de emoções alheias Autocontrole e regulação emocional Atenção e memória de trabalho Criatividade e resolução de problemas Desenvolvimento da linguagem verbal e corporal


Isso acontece porque os circuitos cerebrais envolvidos nessas funções só são fortalecidos por meio de experiências humanas reais, como brincar com outras crianças, ouvir histórias contadas por adultos e explorar o ambiente com o corpo.


Sedentarismo, obesidade e outros efeitos físicos


A troca de brincadeiras ativas por horas diante da tela também traz consequências para a saúde física. O sedentarismo entre crianças tem crescido, e está diretamente relacionado ao aumento de casos de:


Obesidade infantil Problemas posturais Transtornos do sono Déficit de vitamina D (pela falta de exposição ao sol)


Além disso, a exposição prolongada à luz azul das telas afeta o ritmo circadiano, interferindo no sono, o que pode comprometer ainda mais o aprendizado e o humor da criança.


O papel dos pais: limites e exemplo


Pais e responsáveis são peças-chave na construção de uma relação saudável das crianças com a tecnologia. Muitas vezes, sem perceber, os adultos reforçam comportamentos de dependência ao usarem seus próprios dispositivos com frequência, inclusive durante refeições ou momentos em família.


As crianças aprendem pelo exemplo. Se veem os pais sempre com os olhos fixos em uma tela, entendem que aquele objeto é central — e muitas vezes mais importante do que o que está ao redor.


É fundamental que os adultos estabeleçam limites claros, participem do que a criança consome online e proponham alternativas reais de entretenimento, como leitura, jogos analógicos, brincadeiras ao ar livre e momentos de conversa.


Cuidado com o sharenting: superexposição infantil nas redes


Outro ponto de atenção é o chamado sharenting — a prática de compartilhar excessivamente fotos e vídeos dos filhos nas redes sociais. Embora possa parecer um gesto de orgulho ou afeto, esse comportamento pode ter efeitos prejudiciais à saúde emocional da criança.


A superexposição pode:


Estimular a vaidade precoce e a comparação constante Gerar constrangimentos ou bullying em fases futuras Aumentar a vulnerabilidade a crimes virtuais Comprometer o desenvolvimento da autonomia e da espontaneidade


A proteção da imagem e da privacidade da criança deve ser uma prioridade. É importante pensar: “Se essa imagem fosse minha, eu gostaria que estivesse online para sempre?”


Educação digital: preparar antes de liberar o acesso


A tecnologia pode sim ser uma aliada, mas a educação digital deve anteceder o uso independente de telas. Antes de entregar um smartphone ou tablet à criança, os responsáveis precisam orientá-la sobre os riscos, os limites e o comportamento esperado no ambiente virtual.


Entre os principais cuidados estão:


É responsabilidade dos adultos ensinar que a internet não é um espaço sem regras. Do mesmo modo que se ensina uma criança a atravessar a rua, deve-se prepará-la para navegar no mundo digital com segurança.


Monitorar os conteúdos acessados Bloquear sites e aplicativos impróprios Dialogar sobre cyberbullying, privacidade e respeito Estimular o pensamento crítico sobre o que se consome Explicar que tudo o que é feito online tem impacto no mundo real





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# Fonte: Einstein Hospital Israelita / Foto: Freepik

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