Empresa de SC aguarda Anvisa para produzir respiradores
02/05/2020
Empresa de SC aguarda Anvisa para produzir respiradores
Equipamento nacional pode ser solução neste momento
Envolta em muita polêmica, a compra de 200 respiradores por parte do Governo de Santa Catarina de uma empresa com sede em Nilópolis, na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, poderia ter sido evitada. Para isso, basta que as autoridades responsáveis pela área da saúde do País olhem com mais atenção para o mercado interno onde diversas empresas vem desenvolvendo, desde o início da pandemia do novo coronavírus, respiradores mecânicos e oferecendo para testes ao organismo certificador da produção deste tipo de produto no país: a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Enquanto se ignora os pedidos, o governo catarinense e outros no Brasil precisam recorrer à importação de respiradores. No caso de Santa Catarina, os equipamentos, com suspeita de super faturamento e até hoje não entregues, viriam do Panamá. A solução não estava muito longe do Governo do Estado, para ser mais preciso 200km separam Jaraguá do Sul, sede da empresa Bold e a capital Florianópolis.
A empresa catarinense não é especialista em equipamentos médicos, mas usou da sua expertise na produção de chapas e coberturas de metal, acrílico, policabornato, poliestireno e plásticos de engenharia, além de uma infinidade de produtos para diversos segmentos, para desenvolver o T-20. O respirador já poderia estar sendo produzido em larga escala se a Anvisa tivesse se interessado em certificá-lo.
O diretor Comercial da Bold, Reimar Sebold, explicou, em entrevista à Rádio Jaraguá, que o T-20 é um modelo de médio porte para uso emergencial, desenvolvido para resposta a 93% dos casos de coronavírus, pois, de acordo com pesquisas, apenas 7% dos pacientes infectados irão precisar de um equipamento mais sofisticado. Ele explica ainda que o equipamento foi desenvolvido para ser utilizado para quando o paciente estiver sedado. "Quando o paciente começa a respirar por si próprio, o equipamento identifica a elevação do nível de pressão e soa um alarme para avisar o médico antes de desarmar automaticamente". O médico Thales Bággio complementa: "é um equipamento bastante versátil e que pode ser utilizado tanto num pronto atendimento, num hospital de campanha ou numa emergência".
Vídeo
Em vídeo, que circula pelas redes sociais, Ralf Sebold, CEO da Bold, apela à classe política para que interceda junto à Anvisa para a certificação do T-20. Ele conta que o respirador foi desenvolvido em 30 dias, numa parceira entre a Bold e o médico Thales Bággio. "O T-20 seguiu todas normas técnicas da Organização Mundial de Saúde (OMS), assim como da MHRA (agência internacional reguladora de medicamentos e produtos de saúde)".
O produto passou ainda por uma série de testes até obter uma pré-certificação de uma empresa especialista nesta área, com sede em Porto Alegre-RS. Ainda no Rio Grande do Sul, o T-20 foi testado em bancada e liberado para testes clínicos em pacientes do PA do Hospital de Canoas-RS, tendo sido aprovado. Um segundo teste, também com resultados positivos, ocorreu no Hospital e Maternidade Jaraguá. "Sobram papéis e faltam ventiladores", desabafa Ralf. Ele revela que a Bold possui capacidade para produzir 400 respiradores por dia. "Confiem na indústria nacional, nós não podemos ligar nossos televisores e ver brasileiros morrendo por falta de ventiladores, ler notícias nos jornais que o Brasil está sem receber ventiladores da China. Nós temos o T-20 que foi desenvolvido no Brasil e para os brasileiros. Assim como a Bold tem o T-20, boas empresas nacionais desenvolveram ventiladores capazes de ajudar neste momento", garante. Ralf dá outra boa notícia; o T-20 custa R$ 19.800,00 + taxas. Um valor bem abaixo dos R$ 165.000,00 pagos pelo governo de SC pelos respiradores importados que ainda não chegaram.
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