Papa Leão XIV com câncer no pulmão: veja sintomas de alerta da doença
14/10/2026
Ramon Andrade de Mello diz que sinais podem ser discretos e que o diagnóstico precoce pesa no tratamento
O papa Leão XIV foi diagnosticado com adenocarcinoma pulmonar nesta terça-feira (13), e o caso chamou atenção para um tipo comum de câncer de pulmão que pode variar de paciente para paciente e exige avaliação individualizada. O médico oncologista Ramon Andrade de Mello, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia, explicou os sinais de alerta, as formas de diagnóstico e as opções de tratamento.
Ramon Andrade de Mello disse que esse tumor pode ficar silencioso por muito tempo. "Em fases iniciais, o câncer de pulmão pode não provocar manifestações específicas, o que contribui para que muitos diagnósticos ocorram quando a doença já está mais avançada. Mas o diagnóstico precoce é um dos principais fatores que influenciam as chances de sucesso do tratamento."
Para tentar identificar a doença cedo, é preciso observar tosse persistente, tosse com sangue, dor no peito, falta de ar, fadiga extrema, rouquidão, perda de peso sem causa conhecida e infecções pulmonares recorrentes. Esses sinais podem ser leves ou parecer problemas respiratórios comuns, mas precisam ser investigados.
O adenocarcinoma é um subtipo do carcinoma, termo usado para os cânceres que se desenvolvem a partir de células epiteliais. Ramon Andrade afirmou: "O adenocarcinoma pulmonar é um câncer que se origina nos alvéolos e tem chance de metástase, além de ser uma das principais causas de mortalidade relacionadas ao câncer."
Segundo as estimativas 2023, o câncer de pulmão é o terceiro mais comum em homens no Brasil e o quarto em mulheres. No mundo, ocupa o primeiro lugar em incidência entre os homens e o terceiro entre as mulheres. No Brasil, a publicação “Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil", do INCA (Instituto Nacional de Câncer), prevê 35.380 novos casos por ano no triênio 2026–2028.
A taxa de sobrevida relativa em cinco anos é de 18%, mas sobe para 56% quando o diagnóstico ocorre em estágio inicial, com câncer localizado. O diagnóstico pode ser feito por exames de imagem, biópsia e marcadores tumorais.
A retirada cirúrgica do tumor é uma das principais opções em estágio inicial, especialmente quando a doença está localizada e não há sinais de disseminação para outras regiões do organismo. Ramon disse: "Em determinados casos, principalmente quando o tumor é pequeno, está restrito ao pulmão e foi completamente removido, o procedimento pode ser suficiente para o controle da doença. No entanto, isso depende do estadiamento definitivo, das características do tumor e da avaliação dos linfonodos."
A análise para estadiamento pode incluir a avaliação dos linfonodos, porque ela ajuda a verificar se a doença atingiu estruturas próximas ao tumor. Também entra nesse processo a análise anatomopatológica do tecido tumoral, que fornece informações importantes para orientar as decisões terapêuticas.
Mesmo depois da retirada completa do tumor, alguns pacientes ainda podem precisar de tratamentos adicionais para reduzir o risco de reaparecimento. Entre as opções citadas estão imunoterapia e terapias-alvo, que atuam sobre mecanismos específicos ligados ao desenvolvimento da doença. As informações são da CNN Brasil.
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