Joinville e Jaraguá do Sul estão entre as 10 cidades mais afetadas pelo tarifaço dos EUA
13/08/2025
Cinco dias após o início da tarifa adicional de 50% imposta pelo governo de Donald Trump sobre produtos exportados pelo Brasil, Joinville e Jaraguá do Sul figuram no ranking das dez cidades brasileiras mais impactadas. As duas cidades catarinenses ocupam, respectivamente, a 9ª e a 6ª posição na lista elaborada pelo jornal Estadão, com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
O levantamento considera os produtos mais exportados pelo Brasil aos Estados Unidos em 2024 que foram afetados pelo tarifaço, como café, carne bovina, frutas, têxteis, calçados e móveis.
Jaraguá do Sul exportou US$ 245 mil em máquinas, aparelhos e materiais elétricos, além de aparelhos de gravação e reprodução de som e imagem.
Joinville registrou US$ 228 mil em exportações de caldeiras, máquinas e instrumentos mecânicos.
Piracicaba (SP) lidera o ranking, com mais de US$ 1 bilhão exportados em caldeiras, máquinas e instrumentos mecânicos.
O Estadão destaca que cidades do Sul e Sudeste aparecem com mais frequência na lista por concentrarem a maior parte das exportações para os EUA. Já as regiões Norte e Nordeste, embora menos representadas no ranking, são mais vulneráveis devido à dependência de setores como têxteis, pescado e frutas, que têm forte peso social no emprego.
A ordem executiva assinada por Trump em 30 de julho isentou quase 700 produtos, como aeronaves, suco de laranja, fertilizantes e madeira, mas manteve a tarifa elevada para itens estratégicos.
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Em Brasília, o secretário da Fazenda de Joinville, Fernando Bade, apresentou à Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP) propostas para minimizar os impactos. Entre os pleitos estão:
inclusão de produtos automotivos de linha média/pesada na lista de exceções;
concessão de 90 dias para negociações;
desoneração da folha de pagamento para setores exportadores intensivos em mão de obra;
criação de linha de crédito especial subsidiada.
Jaraguá do Sul, por sua vez, também discute medidas para mitigar os prejuízos, considerando que 25% de suas exportações vão para os EUA, sendo 90% desse valor representado pela WEG. A prefeitura teme impactos no emprego e efeito cascata sobre prestadores de serviço.
Segundo Pablo Felipe Bittencourt, economista-chefe da Fiesc, empresas já registram redução de pedidos e embarques, e alguns setores começam a conceder férias coletivas ou a demitir. A entidade projeta uma queda de 0,3% no PIB catarinense em até dois anos.
Os setores mais afetados incluem madeira, móveis, máquinas, motores, geradores, compressores, motobombas, carnes, mel e pescado. “Grande parte da nossa produção de mel vai para exportação para os EUA. Esse impacto será forte para produtores de regiões mais altas, onde o mel tem qualidade diferenciada”, afirmou o economista.
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