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Projeto em SC transforma garrafas PET em pranchas de surfe e ensina ecologia nas escolas

04/08/2025

Narciso Barone

Em tempos em que a crise ambiental exige ações urgentes e criativas, um projeto nascido em Garopaba, no litoral sul de Santa Catarina, tem chamado atenção por unir inovação, esporte e educação ambiental. A iniciativa transforma garrafas PET descartadas em pranchas de surfe e, mais do que isso, leva oficinas, palestras e experiências práticas para escolas de todo o país — uma combinação que tem impactado jovens, educadores e comunidades inteiras.


Da praia ao pátio da escola: como tudo começou


O idealizador da prancha de garrafas PET é o surfista e shaper (fabricante de pranchas) Jairo Lumertz. A ideia surgiu em 2007, enquanto ele morava no Havaí, um dos berços mundiais do surfe. Incomodado com a quantidade de resíduos plásticos acumulados nas praias, Jairo decidiu criar algo diferente: uma prancha de surfe feita com materiais reciclados. O primeiro modelo foi montado com garrafas PET e logo chamou a atenção de quem via.


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Quando retornou ao Brasil, Jairo conheceu a educadora Carolina Scorsin. Encantada com a proposta, Carolina se uniu ao projeto e passou a coletar garrafas para montar as primeiras pranchas no país. “A primeira prancha já foi um sucesso”, relembra. Desde então, a dupla tem trabalhado para levar a ideia além do litoral — até as salas de aula.


Como são feitas as pranchas com garrafas PET?


Ao contrário das pranchas tradicionais de fibra de vidro ou resina, as pranchas ecológicas são montadas com materiais reaproveitados, fáceis de encontrar:


Garrafas PET (a base principal da estrutura) Canos de PVC Poliuretano Cola, lixa e EVA escolar


A estrutura é montada manualmente, com atenção ao equilíbrio, à flutuação e à resistência no mar. Embora o desempenho seja inferior ao de pranchas profissionais, Carolina explica que o desafio é parte do aprendizado. “Costumamos dizer que quem aprende a surfar numa prancha de garrafa PET pode se tornar um ótimo surfista. Ela exige mais, mas flutua bem e surfa com facilidade”, afirma.


Muito além do surfe: oficinas, palestras e impacto social


Mais do que ensinar sobre surfe ou reciclagem, o objetivo do projeto é sensibilizar crianças e adolescentes para a importância de cuidar do planeta. Por isso, a equipe realiza visitas a escolas públicas e privadas, promovendo:


Palestras sobre resíduos sólidos e poluição dos oceanos Oficinas práticas de montagem de pranchas Aulas de surfe com as pranchas recicladas Debates sobre consumo consciente e sustentabilidade


Essa abordagem prática torna o aprendizado mais próximo da realidade dos estudantes. Em vez de apenas ouvir sobre os perigos do plástico no mar, os jovens tocam, constroem, experimentam — e se conectam com a causa.


“Quando eles montam a prancha com as próprias mãos e depois vão ao mar com ela, a experiência é transformadora”, conta Carolina. “É uma forma de gerar consciência que fica marcada.”


Educação ambiental que surfa na maré certa


De acordo com dados do Fórum Econômico Mundial, mais de 11 milhões de toneladas de plástico vão parar nos oceanos todos os anos. Se nada for feito, esse número pode triplicar até 2040. Iniciativas como a de Garopaba mostram que a mudança é possível — e pode começar dentro da escola.


O projeto também se alinha com as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que incentiva a educação ambiental de forma transversal, prática e conectada ao cotidiano dos alunos. Ao levar as pranchas para a sala de aula, os idealizadores ampliam o repertório dos estudantes e estimulam um novo olhar sobre o lixo e o consumo.


Um projeto com potencial para o futuro


Hoje, a iniciativa já passou por diversas cidades brasileiras, adaptando o formato das oficinas de acordo com a idade dos alunos e os contextos locais. O sonho agora é expandir o projeto com mais parcerias, formar multiplicadores e levar a metodologia para fora do Brasil.


“Se cada escola conseguisse transformar um pouco do lixo que produz em algo educativo, o impacto seria enorme”, reflete Jairo. E o surfe, nesse caso, é só o começo de uma onda que pretende gerar uma transformação profunda — ambiental, social e educacional.






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# Fonte: NSC Total / Foto: Eco Garopaba, Reprodução

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